Construindo o sistema de operação de uma produtora de vídeo
Em construção. Testando numa produtora real.
Estou desenhando uma interface local que dá a uma produtora uma tela só pra vida inteira de um projeto, do briefing cru até o arquivo entregue. Construo junto com uma produtora de verdade, então cada tela saiu de ver como eles já trabalham, e não de wireframe. A espinha acabou sendo a nomenclatura deles, que já amarra cliente, job e proposta. Cadastra o job uma vez e o código preenche as planilhas e nomeia os documentos. Cada etapa do pipeline tem botões, e cada botão é um agente da Anthropic carregado com o contexto daquele projeto: virar áudio de WhatsApp e email cru em briefing estruturado, traduzir feedback de cliente numa instrução que a equipe consegue executar, conferir roteiro contra briefing, gerar o arquivo da proposta. O pedaço que ainda me pega é a tela de visão geral, porque o dono bate o olho em 20 jobs e sabe se a semana está apertada, e tabela bonita não faz isso. Longe de pronto, e é a coisa mais interessante que tenho na mesa.
Entra um site, sai um render do Remotion
Fica. É o meu principal experimento.
Montei um pipeline que lê um site no ar e devolve um vídeo pronto do outro lado. Ele puxa a copy real, a paleta do CSS, as fontes computadas, o logo e o padrão de fundo, e escreve a decupagem em número em vez de prosa: contagem de frames, posição de câmera, curva de easing. Quem renderiza é o Remotion, então o motion graphics é código React e toda cena é reproduzível. A primeira rodada completa foi um reel vertical de 15 segundos pra uma ferramenta de bug report. Toda palavra na tela veio literal do site, e o logo entrou como SVG decomposto pra asa animar em vez de esticar. Menos de um centavo por vídeo, porque a extração roda no Playwright e o render é local.
Um mestre, quantos formatos eu precisar
Fica, com uma regra
Esse mesmo render do Remotion é o mestre de todos os outros tamanhos. Como as cenas estão escritas em número, trocar o canvas é parâmetro, então 16:9, 4:5, 1:1 e vertical saem de uma fonte só, e dá pra seguir até dezenas de cortes sem abrir o After Effects uma vez. A regra que aprendi apanhando é que caber e funcionar são resultados diferentes. Quando o eixo dominante inverte, pilha vira fileira: 2 das 5 cenas daquele reel precisaram de recomposição de verdade no 16:9, enquanto 4:5 e 1:1 saíram de graça. Então o pipeline me entrega todo formato barato, e eu continuo olhando um por um.
Hoje a maior parte da produção começa no terminal
Fica
Rodo meu trabalho pelo Claude Code e escrevo minhas próprias skills de agente, uma pra cada tarefa que volta sempre. Um tracker que varre a web toda manhã atrás dos momentos de marca que valem virar vídeo. Uma skill que lê o site de uma empresa e escreve o documento de design que outro agente precisa pra construir qualquer coisa naquela marca. Uma que redige email de cliente na minha voz. Uma que arquiva a entrega fechada onde eu vou achar depois. Cada skill é um arquivo de texto com regras que escrevi depois de errar aquilo na mão. A linha que eu seguro é essa: automatiza o passo, nunca o julgamento. Meu pipeline de vídeo roda em 5 fases e para num humano em todas elas, porque cada uma dessas paradas existe graças a um retrabalho que já me custou.
Automatizei minha própria semana na 7 Graus
Fica. Dois dias de preparação viraram quatro horas.
A 7 Graus é cliente de volume mensal, e todo vídeo chega igual: roteiro em tabela no Google Docs, com o material linkado linha por linha. Escrevi o caminho inteiro. Um script lê essa tabela, separa capítulo e cena, cria a pasta do projeto a partir do template, baixa todo asset linkado, converte os vídeos e me entrega um arquivo de Photoshop e um projeto de After Effects com tudo importado e nomeado. Se morrer no meio, ele volta de onde parou. Depois montei meu próprio painel dentro do After Effects: uma aba faz a montagem em cinco cliques, a outra guarda os movimentos que repito todo dia, como próxima cena, rig de câmera, minhas expressões, transições, e a paleta da marca onde clicar na cor preenche a camada e copia o hex. Do lado moram dois scripts de Photoshop, um que escreve fórmula matemática com cada termo em sua própria camada, pra equação se resolver na tela, e outro que monta tabela a partir de linhas coladas da planilha. A preparação comia dois dias por vídeo. Hoje são umas quatro horas, e nenhuma delas é renomeando arquivo.
O que um ano dentro de uma plataforma de vídeo com IA me ensinou
Dois hábitos que hoje uso em tudo
Na Lunair trabalho numa plataforma que transforma uma URL ou um prompt em vídeo pronto, o que significa ver a ferramenta antes de ela estar polida, inclusive as partes que não funcionam. A primeira coisa que tirei de lá é o tanto de trabalho em volta de um vídeo que se repete, então acabei escrevendo automações internas pro que ninguém deveria fazer na mão: pesquisa, tracking, coleta de asset de marca. A segunda mudou meu jeito de escrever prompt. Prompt bom pra engine de animação é um documento longo, exato e chato, e eu sou lento pra produzir isso na mão. Então parei de escrever prompt e passei a construir quem escreve: uma skill que já sabe a marca, as manias da engine e o formato, e me devolve o prompt pronto pra disparar. Dar a uma IA contexto suficiente pra ela mirar outra IA foi o hábito mais útil que peguei lá.
Um segundo cérebro, pra não aprender a mesma lição duas vezes
Fica. É a que rende juros.
Toda entrega fechada vira uma ficha num vault do Obsidian: o que era, o que quebrou, o que eu decidi, e um link pros arquivos de verdade. O Claude escreve a ficha e cruza ela com o cliente, com as pessoas envolvidas e com as entregas antigas que ela toca, então o vault vira um mapa do meu trabalho em vez de uma pasta com ele. Custa mais ou menos um minuto por entrega. O retorno aparece meses depois, quando um problema volta e a solução já está escrita, nas minhas palavras, com o motivo junto. A maior parte das regras dentro das minhas skills começou como nota lá dentro, inclusive a de que render errado é idêntico a render certo. É a coisa mais próxima que tenho de um sistema que faz os próximos cem vídeos serem melhores que os cem anteriores.